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Hiperceratose subungueal e correção ortésica

Caso bastante interessante de uma paciente, personal Training,  com suspeita de onicomicose no hálux esquerdo. Esta paciente foi encaminhada pela Dra. Rossana Sette, Micologista clínica, que realizou um exame micólógico da mesma com um resultado negativo. Quando a paciente chegou ao meu consultório ela apresentava onicólise e uma espessa hiperceratose subungueal, a unha apresentava uma curvatura bastante acentuada, possivelmente causada pela formação da hiperceratose subungueal. A paciente relatou que quando foi realizar o exame micológico não havia se preparado adequadamente, havia esmaltado as unhas dois dias antes da coleta, isso poderia realmente ter influenciado no resultado negativo do exame. Resolvi então solicitar um novo exame após uma adequada preparação da paciente.

Na imagem pode-se notar uma espessa hiperceratose subungueal. Segundo a paciente, ela tratou-se com uma podóloga de sua cidade durante alguns meses sem resultado. Aí começam os problemas: 1º a podóloga prescreveu terapia medicamentosa com fluconazol por 3 meses (a podóloga nunca solicitou exame micológico da paciente) vale ressaltar que a podóloga não poderia ter feito isso, pois consiste um ato médico, este foi um dos motivos que levaram a Dra. Rossana a encaminhar a paciente a mim, que não faria algo que não era recomendado; 2º realizou terapia fotodinâmica, sem a real indicação para tanto.

O exame proveniente das minhas coletas isolou células de levedura, no entanto uma quantidade muito pequena, o que não sustenta um resultado positivo, pois a Candida sp compõe a nossa microbiota natural do corpo e pode ser encontrada em pequenas quantidades aleatoriamente.

Uma vez que o resultado do exame micológico foi negativo iniciamos um tratamento ortésico, partindo da ideia que a compressão do leito pela unha esteja causando a formação hiperceratósica.

Na segunda troca de órtese já se observava uma diminuição da curvatura e consequentemente da hiperceratose.

Ao final do tratamento, que durou 4 meses com trocas mensais de órtese, a unha já havia modificado todo o seu formato natural, já não produzia mais a hiperceratose, mas ainda apresentando a onicólise, o que se pode explicar pela ocupação laboral da paciente que pratica esportes de impacto com tênis muitas vezes justos demais.
Com tudo isso vale evidenciar que nem tudo o que aparenta ser uma onicomicose de fato é. O podólogo deve respeitar seus limites de atuação e não praticar aquilo que não se enquadra na nossa habilitação profissional.

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